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× 28.12.02

sim, estou vivo - ou algo parecido. é bem verdade que me falta um pedaço do dedo - piadas internas? -, mas, tecnicamente falando, um médico diria que estou vivo.

só para avisar, até o revellion (ou até o vestibular, como uma certa pessoa aqui do meu lado insiste) haverá poucos - eufemismo para 'nenhum' - posts.

e só para constar... como é possível uma não-canhota usar um mouse com os botões invertidos? tá, ainda é mais compreensível e aceitável do que um teclado com um layout inexistente - sério, não pode haver dois teclados no mundo iguais ao absurdo da distribuição de teclas desse aqui - sendo usado com a configuração de brasileiro padrão! é uma grande aventura descobrir onde diabos os acentos foram parar. aliás, me pergunto se o mais divertido nesse teclado é escrever ou desbravá-lo.

e ah, sim, só para quem for um tanto quanto devagar, eu não estou em casa, estou no 'paraíso dos insetos', também conhecido como dol mordor. voltarei para casa só ano que vem.

esse ano, por aqui eu fico. só para reforçar, eu vivo. e eu amo.

× quem, quando ugo pozo, 22:04
× focos de incêndio 6

× 22.12.02

silent jealousy

"tell me true doko ni yukeba
kurushimi wo aiseru
"
(silent jealousy, x-japan)

"how can I feel abandoned even when the world surrounds me?"
(misunderstood, dream theater)

"si una puerta se te cierra, otra puerta se abrirá"
(el valor que no se ve, laura pausini)

essa frase, sabia que a tinha lido em algum lugar, há muito tempo. sim, faz muito tempo que a li. o cd da laura pausini que tem essa música deve ter sido um dos primeiros que ganhei, e faz mais de ano que está emprestado. mas certas coisas lidas nele, de certa forma, moldaram minha maneira de pensar.

ironicamente - ou não? -, essa frase foi assimilada de maneira contrária. reflexo, talvez, do meu intrínseco pessimismo. para cada porta que se abre, outra se fechará. pois bem, recentemente, uma porta foi aberta. e acabo de descobrir qual se fechou.

nesse exato instante, isolado de qualquer meio de comunicação que não esse pelo qual me expresso, estou aqui a devanear sobre a impossibilidade. um devaneio baseado em possibilidades concretas, é verdade, mas ainda assim altamente improvável. um devaneio motivado pela extrema insegurança que sempre foi minha marca de zorro. um temor de que tudo mude. ou que já tenha mudado.

minto. sou um mentiroso contumaz - qual político disse isso de qual outro mesmo? praticamente toda vez que escrevo algo sobre mim mesmo eu minto, e o que é pior, me desminto. vou à berlinda duas vezes: primeiro, por me assumir mentiroso; segundo, por expôr aquilo que temia expôr e que gerou a mentira.

mas continuando, minha mentira se refere ao fato de eu ter medo de 'tudo mude'. que absurdo! meu medo é justamente que não mude. ou que se cancelem as mudanças, para ser mais preciso. sim, qualquer mudança agora significaria cancelar a mudança - benéfica - recém acontecida.

não, não, não, vou ainda mais longe. meu medo é quase uma ânsia. parafraseando lispector, a felicidade é clandestina para mim. chego a suspeitar que sequer gosto dela. sou um amante incorrigível do sofrimento. não me perguntem por que, mas me lembro mais dos dias cinzentos em que sofria olhando para o nada através da janela do carro do que dos momentos alegres de alguns anos atrás.

ah, perguntem sim. eu sei por quê. a tristeza sempre traz perspectivas de melhora. a felicidade não, é como o cume de uma montanha, de lá você só pode cair. precavido ou covarde, agora, no cume da montanha, não consigo parar de pensar em qual das maneiras possíveis de me jogar de lá de cima fará com que eu me machuque mais. para que, quando eu terminar de cair, esteja tão arrasado e acabado que possa pensar que nada de pior pode acontecer. odeio - ódio inútil, todo ódio é inútil, mas esse é mais - me repetir, mas me obrigo a fazer isso agora, é meu pessimismo dialeticamente otimista, o passado e o futuro sempre serão melhores do que o presente.

tenho medo. estou preocupado. crio especulações absurdas e fantásticas do apocalipse na minha cabeça. porém, manter-me-ei calado. engolirei sapos e cobras se necessário. mas não serei traído, não pelas minhas próprias palavras.

dessa vez, silencioso.

× quem, quando ugo pozo, 05:13
× focos de incêndio 5

classificados

compra-se um post.
os leitores mais assíduos
- se é que esse blog tem algum -
já devem ter percebido
que me faltam idéias - inspiração? -
para escrever algo legível.

estou, então, à procura de um post.
não pode ser um post qualquer,
porque por ele pagarei bem;
negociaremos depois que eu o puder ler,
mas não o publicarei sem autorização
charlatão, talvez - honesto, porém.

há algumas especificações, também.
deve ser um post especial,
que revele algumas verdades
sobre o céu e sobre o inferno;
mas apenas sobre eles
do limbo eu já entendo, afinal.

quero que haja também constatações simples
mas que nunca haviam sido constatadas.
quero teorias complexas ininteligíveis
acerca do comportamento humano, isolado ou em sociedade,
que não digam nada no final das contas
mas que dêem a impressão de estarmos no caminho certo.

comprarei esse post.
mas não, não o publicarei.
quero apenas lê-lo para que possa discordar dele,
e aí sim publicar algo que eu escreverei,
contradizendo-o com o ímpeto de um soldado na guerra,
e, quem sabe, recuperando minha inspiração.

mas que droga.
nem esse post foi inspirado.
foi apenas um papaguear de algo há muito já dito.
esse post que quero não será meu último
mas eu o quereria tal e qual o quis quem escreveu antes de mim.
segue o original.

o último poema
manuel bandeira

assim eu quereria o meu último poema
que fosse tenro dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
a pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos

a paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

× quem, quando ugo pozo, 03:31
× focos de incêndio nenhum