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× 07.12.02

shall we dance?

antes de o tempo voltar a andar, preciso fazer uma pequena digressão. narciso. já ouvi milhares de versões diferentes sobre como se deu o trágico fim desse belíssimo ser. uns dizem que se apaixonou por si próprio quando se viu no reflexo do lago, e mergulhou neste. outros, que morreu antes de mergulhar, atônito por sua própria beleza. não me interessa a verdade histórica - se é que há alguma -, pelo menos nesse caso.

caetano veloso. em sampa, ele diz, "é que narciso acha feio o que não é espelho". nada mais certo. em certos aspectos, sou narciso. em outros, sou seu exato oposto. não gosto de mim. mas amo o que é igual a mim. meu reflexo no espelho pode não ser eu mesmo. meu reflexo pode ser completamente diferente de mim. mas eu o amo, e, por isso, ele sempre será igual a mim. ou, ao menos, simétrico.

confuso? um pouco. meu reflexo é confuso, às vezes não sou capaz de compreendê-lo por completo. mas espero ter captado sua essência.

(?) sim. (?) enquanto houver algo para ser conhecido. (?) completamente. (?) agora. (?) em busca do santo graal do ser humano, aquele que ninguém sabe se existe, mas que sempre vai buscar. (?) a mesma busca desse santo graal. pode estar em si próprio, pode estar nos outros. há que se buscar em todo lugar.

também temo. sempre temi. sempre temerei. mas meu medo me podava. cansei do medo. vou enfrentá-lo. nem que isso me custe a mim mesmo. pois, se for para ser cerceado pelos meus medos, é melhor não ser.

era para ser? talvez. talvez não seja para ser, talvez sequer tenha sido. talvez será. é preciso descobrir. eu quero descobrir.

pára, pára tudo! onde está minha máscara? preciso dela, por favor. preciso dela como um mergulhador precisaria de sua máscara. não são o mesmo tipo de máscara. mas a necessidade delas é igual. estou muito exposto, muito aberto. não quero me abrir! não posso! mas preciso...

não, não porei a máscara. tenho que resistir. por mim. por você. pelo 'eu'.

o tempo voltou a correr. a música voltou a soar. o baile continua. as pessoas agora dançam, alegres, surpresas. as pessoas reconhecem os amigos, os parentes, os inimigos... todos estão lá, no baile. a magia das máscaras acabou, passou da meia-noite. mas ainda há a noite inteira para se bailar. as máscaras disfarçavam rugas, imperfeições. a brincadeira de mundo inteligível acabou, mas o mundo sensível está aí. estamos todos acorrentados, assistindo às sombras, e não tão cedo poderemos nos levantar e olhar para trás.

mas ainda há a noite inteira para se bailar.

vamos dançar?

× quem, quando ugo pozo, 15:11
× focos de incêndio um

(preciso, em nome de minha sanidade mental, fazer um post frívolo. mas creio que não será mais que um.)

cena esdrúxula do dia.

onze horas da manhã. ao meio-dia eu teria quer sair. eu, sem calça para vestir. eu, uma calça molhada, recém tirada do varal, um secador, um banheiro. eu, secando a calça.

ri-dí-cu-lo.

× quem, quando ugo pozo, 14:27
× focos de incêndio 5

× 06.12.02

baile de máscaras
(uma resposta?)

"masquerade!
every face a different shade!
masquerade!
look around -
there's another
mask behind you!
"
(the phantom of the opera - masquerade, charles hart)

"and darkness and decay and the red death held illimitable dominion over all."
(the masque of red death, edgar allan poe)

isso é uma resposta? pode-se dizer que sim. não é uma resposta tradicional, objetiva, que vai nomeando item por item. mas, ainda assim, é uma resposta. e quem eu respondo saberá compreender os pontos principais.

durante um certo tempo pensei por onde começar. então, lembrei-me de uma canção, frank sinatra, que ouvi outro dia. dizia um trecho: "and if we go someplace to dance, I know that there's a chance you won't be leaving with me". sim, isso era o que eu cantava há um tempo atrás. cansei-me de dançar sozinho, porém, e fui a um baile.

um baile de máscaras! em toda sua exuberância e esplendor. no baile, eu não conhecia ninguém. também não havia sido convidado, o que não era necessariamente um problema. não era um problema primeiro porque todos estavam mascarados; segundo, porque, mesmo sem saber que iria a uma baile desse tipo, eu tinha comigo várias máscaras à mão. sempre ando com várias delas. antes de entrar, escolhi a que mais aceitável - não ouso dizer "belo" - me deixaria.

"you can fool any friend who ever knew you!"

a orquestra tocava, e eu passava despercebido em meio ao mar de sorrisos à minha volta. alguns mascarados me notaram; alguns até mesmo me insultaram - como eu disse, a máscara era a mais aceitável que eu tinha. não significava que o fosse para todos. alguns me cumprimentavam, julgando que me conheciam, e outros até me cumprimentavam sabendo que não me conheciam. ah, esses bailes guardam segredos que jamais deveriam ser revelados.

foi então que um dos sorrisos começou a me seguir com os olhos. de vez em quando, passava por mim e murmurava palavras afiadas. fiquei intrigado e curioso. ainda não era meia-noite, faltava muito para meia-noite na verdade, as máscaras ainda iriam demorar a ser retiradas. a máscara em questão, então, retirou-se momentaneamente do salão principal. segui-a com os olhos.

minto. segui-a com minhas pernas. escondido, na esgueira das sombras que se projetavam dos candelabros que iluminavam o salão. aliás, já contei como era feita a iluminação do salão? quem quer que estivesse organizando aquela mascarada, ou era uma mente muito macabra, ou era um grande fã de edgar allan poe. não que ele (ou ela) tenha sido capaz de reproduzir toda a arquitetura da mansão do príncipe próspero, mas o que estava a seu alcance, sem dúvida havia sido feito. era apenas um salão, gigantesco, dentro de outro maior. formava-se, então, ao redor do salão principal, um corredor. o salão principal era circundado por vitrais, e, atrás de cada vitral, no corredor, havia um grande candelabro. se poe diria que a iluminação do salão produzia aspectos vistosos e fantásticos, não consigo imaginar o que diria então da iluminação dos corredores.

nesses, uma densa névoa, esfumaçada, cobria o chão, de modo que não se via onde se estava pisando. à medida que ia subindo, a névoa se tornava mais tênue, mas não o bastante para que eu fosse capaz de enxergar mais que poucos metros. além disso, em frente a cada candelabro, havia um espelho. o espelho, a fumaça e as sombras faziam um jogo capaz de enlouquecer qualquer ser humano normal. mas eu não sou, nem nunca fui, normal. e a máscara que me observara mostrava-se não ser também.

não fui notado a princípio. apesar de parecer exímio conhecedor daquelas bandas, o sorriso não se preocupou em olhar para trás, e então, para minha supresa, tirou sua máscara. não vi sua face diretamente, mas a vi sim, através do espelho. eram as sombras?, era a fumaça?, mas, era um rosto de mulher, e um rosto lindo. mas espere, havia algo de familiar naquele rosto, algo inquietantemente familiar... comecei a reconhecer certos traços no rosto da moça. aos poucos, o horror pelo inesperado tomou conta de mim, quando virei a cabeça e dei de cara com o espelho que estava bem à minha frente. retirei as máscaras que usava por um instante. era eu. ela era eu. eu era ela. éramos a mesma pessoa, e, ao mesmo tempo, pessoas diametralmente opostas. o que significaria aquilo?

voltei, aturdido, para o salão principal. minha máscara caiu. isso não era um problema, eu tinha várias. máscaras é o que não me falta. mas, a cada máscara que se retira, mais a próxima se assemelha com minhas feições verdadeiras. isso talvez fosse problema, talvez alguém me reconhecesse, mas creio que não fui reconhecido, não nesse momento. achei um garçom. pedi a ele um pedaço de papel e uma caneta, e escrevi uma carta. deixei-a no caminho que a mascarada deveria fazer se quisesse voltar ao salão principal. ela veria, ela teria que ver. e, se possível, entenderia que, sim, aquela carta era para ela.

certo de que ela estava no salão principal, voltei ao corredor, e andei um pouco por ele. quase me perdi; porém, quando voltava para o salão principal, percebi que, em frente à porta que dava para esse, havia outra. abri-a, e encontrei uma sala vazia, que, embora cheia de teias de aranha, parecia ter sido usada há pouco tempo. eu sei que é errado, mas acabei olhando ao redor, vendo alguns dos objetos que haviam sido deixados naquela sala. havia muitos livros; não li todos, apenas os que pareciam mais recentes. foi como uma overdose de conhecimento a respeito de mim mesmo. meu cérebro cansou-se, voltei ao salão principal, limpei o que havia acontecido da minha mente, e diverti-me mais um pouco.

a verdade é que minto novamente. não consegui limpar nada da minha mente. não parava um segundo sequer de pensar naquele rosto. passaria ela por mim novamente com suas palavras afiadas? eu seguia dançando, observando a festa; mas, embora olhasse, não via. meus olhos verdeiros - aqueles que realmente enxergam, não os que estão na cara - estavam virados para dentro, para minha cabeça. e lá dentro havia um outro salão, mas vazio: apenas a mascarada a dançar no meio dele.

recebi então um bilhete do garçom. era dela. fui novamente ao corredor, e me deparei com ele fechado. na sala das teias, nada de muito interessante, ainda. durante um tempo, continuei tomando o mesmo procedimento, deixando cartas sem destinatário no caminho por onde eu sabia que ela passaria. qual não foi meu susto quando encontrei, na sala das teias, uma carta sem destinatário, mas que parecia ser dirigida a mim!

quem diria... minha armadilha se voltara contra mim. como eu poderia saber se era para mim? nesse momento, pensei que a mesma coisa devia ter passado pela cabeça dela quando leu minha carta. e, nessa reciprocidade, me pareceu cada vez claro que ela só podia ser eu! aquele baile estava se tornando fantasioso demais. mas é como shakespeare já diria, há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia...

lida a carta, virei para trás e dei de máscara com ela. ela estivera lá, o tempo todo, me observando. nesse momento, soaram as doze badaladas da meia-noite.

"meia noite! está batendo a meia noite"

"tirem as máscaras!"

"e a máscara da morte rubra dominava tudo!"

corta.

o tempo pausou, e aqui estou eu, trancado nesse infinito. infinito congelado, mas não necessariamente frio. estarei sozinho? olho para a mascarada; posso jurar que respira, diferentemente dos outros no salão. mas parece esperar por algo. algo que eu tenho que fazer. eu tenho que me revelar. eu tenho que tirar a máscara.

o tempo está parado, mas ela não está. para o resto das pessoas, teria todo o tempo do mundo. para ela, não. preciso ser rápido, preciso agir rápido. instantaneidade, simultaneidade. rápido, tire sua máscara, revele o que há para ser revelado!

"reveal the world when you're supposed to..."

minha mente ordena, meu corpo não obedece. de repente, esqueci como se movimentam meus membros. não quero mais minha máscaras, mas alguma coisa dentro de mim - superego? - me impede de tirá-la. sei que se não tirá-la, minha outra eu irá embora. com esse pensamento, meu id reage. preciso tirar a máscara. consigo mover a mão alguns centímetros. logo, ela está na altura do rosto. sim, tirei a máscara. todas, uma por uma, despi-me de todas minhas defesas. mas eu tirar a máscara não é suficiente. ela precisa abrir os olhos e olhar para mim.

e agora, o que você vê?

"let the spectacle astound you..."

× quem, quando ugo pozo, 14:08
× focos de incêndio um

× 05.12.02

uma frase.

é tudo que falta para a resposta à carta ficar pronta.

mas é uma frase de um livro que não possuo. por isso, a resposta será publicada amanhã.

por favor, sei que é um exagero pedir novamente paciência, mas agora o que falta não está ao meu alcance.

amanhã.

× quem, quando ugo pozo, 17:58
× focos de incêndio nenhum

× 04.12.02

mais excertos de músicas cujos trechos têm a ver comigo...

"silence disguised
I watch you
show me the hurt
that haunts you
would you despise the thrill
if all you hide were mine?
"

"caught in a web
refused by the world
hanging on by a thread
spinning a cage
denied and misread
"

"innocence faded
the mirror falls behind you
trinity jaded
I break down walls to find you
"

"'love, just don't stare'
he used to say to me
every sunday morning
the spider in the window
the angel in the pool
the old man takes the poison
now the widow makes the rules
"

× quem, quando ugo pozo, 19:14
× focos de incêndio um

eu tenho tanto para dizer que sou incapaz de dizer nada. cinco minutos olhando letras de músicas, em busca de citações, foram suficientes para encontrar versos o bastante para gravar horas. e nenhum verso capaz de exprimir o que tenho a dizer perfeitamente existe. teria que criá-lo; não tenho habilidade tanta, porém.

sempre disse e sempre direi que prefiro hegel a descartes. mas até hoje só tinha vivido descartes; hegel não é fácil de agüentar, apesar do aprendizado que proporciona. antes eu era o nada, o nada num plano cartesiano, o ponto (0,0). hoje a dialética me alterna entre tudo e nada, tudo e nada, tudo e nada... os dias se sucedem me enchendo ou esvaziando. como estou agora? cheio ou vazio? tudo ou nada? céu ou inferno?

entre o céu e o inferno sempre haverá o limbo. e é por isso que venho para cá nesses momentos de dúvida. mas nunca sei de onde estou vindo, e muito menos para onde irei. embora sempre esteja tentado a pensar que minha origem e destino são o céu. sim, tanto origem quanto destino, no meu pessimismo dialeticamente otimista: sempre o passado foi melhor, sempre o futuro será melhor. o presente nunca é o bastante.

a mind beside itself. esse sou eu aqui no limbo. é como se eu saísse de mim mesmo e tentasse assistir a minha própria vida. bem, desde que bentinho escreveu sobre capitu está provado que isso não é possível... mas ainda assim eu tento. e, ao mesmo tempo que reclamo por não ser capaz de ser um só, ao reclamar me divido mais ainda, sendo outro para poder reclamar por mim.

certo... perdi o fio do pensamento... tantas letras, tantas músicas, com qual delas eu encerro? ah... essa é fácil.

"love is an act of blood and I'm bleeding
a pool in the shape of a heart
"

dream theater... space-dye vest... não, não... talvez haja uma melhor...

já sei. luz do espelho, luz do espelho, não se apague.

"because once we give in
all the doors remain closed
and under lock and key they will keep
the things we need most

so whatever it takes
we should do it to unlock these doors
"

× quem, quando ugo pozo, 17:32
× focos de incêndio nenhum

× 03.12.02

é, agora as coisas complicaram-se...

imaginem-se na seguinte situação. você encontra uma carta. ela não tem destinatário, apenas remetente. você a lê, e, por incrível que pareça, começa a pensar que aquela carta realmente poderia ter sido destinada a você. você não conhece o remetente... mas sabe que o remetente te conhece. o que você faz?

responder a carta? não, eu não tenho tanta auto-confiança pra sair respondendo cartas que podem não ser para mim.

ignorar? seria a opção mais fácil... mas estou cansado de seguir o caminho mais fácil por duvidar da minha capacidade de trilhar outros caminhos. já perdi muita coisa por isso.

já sei. saramago, meu caro, me perdoe. sua crítica ao senso comum no 'o homem duplicado' é digna de outro nobel. einstein, também não desconheço sua citação genial (einstein? genial? pleonasmo?), aquela que diz que 'senso comum é a camada de preconceitos colocada em nossa cabeça até os dezoito anos'. mas, eu, que nem tenho dezoito anos ainda, vou brincar de seguir o que o senso comum me manda fazer. afinal, tanta gente o segue, algo de bom ele deve ter. toda unanimidade é burra? ahn? desculpe, mas vou fingir que não escutei. só dessa vez, prometo.

estou acusando o recebimento. sim, isso mesmo, você, se você me enviou uma carta, eu a recebi. se você não sabe do que eu estou falando, esqueça. e se você enviou uma carta que não era para mim, mas que pode ter chegado a mim por engano... não se preocupe, apenas me avise para que eu te entregue a carta, de modo que você possa remetê-la à pessoa certa.

em todo caso, a carta está aqui. devo respondê-la? ironicamente, quem espera uma resposta, por enquanto, sou eu.

× quem, quando ugo pozo, 14:09
× focos de incêndio 3

um, dois, três... quatro! meu deus, quatro, e ainda seguidos! isso deve ser um recorde para esse blog.

a que eu me refiro? simples! foram quatro posts seguidos sem nenhuma gota de metalinguagem! sim, eu sei, já estou quebrando essa seqüência histórica, mas convenhamos que esse é um fato que merece ser comemorado.

bem... comemoração feita, deixa eu já ir pensando no próximo post, que não vai ter nada de metalingüístico, de novo...

... quatro!!!

× quem, quando ugo pozo, 13:43
× focos de incêndio um

lindo. perfeito. como sempre, eu estraguei tudo. mas o que eu esperava também?

... não sei. não sei o que eu esperava. mas me senti compelido a fazer algo. oras, e quem pode me culpar? não é todo dia que se vê uma luz no espelho, principalmente quando você está acostumado a não ver sequer seu próprio reflexo. eu tive que estender minha mão. mas...

"back on my feet again
eyes open to the real world
metropolis surrounds me
the mirror's shattered the girl

(...)
I'd break through to the other side
If only I'd find the way
"

mas que seja. sete anos de azar só. nada que eu já não tenha aguentado.

desculpe qualquer coisa. não tive má intenção.

seguirei em frente, serei bravo
não chorarei em seu túmulo
porque você já não está mais aqui (lá?)
mas eu jamais deixarei
que minhas lembranças de você desapareçam

eu compreendo. seria um besta se não compreendesse também, é tão óbvio. tinha que ser assim. talvez eu devesse ter ficado quieto. não, não deveria, seria uma grande hipocrisia da minha parte. eu sou desse jeito, não gosto de receber coisas pelas quais não faço por merecer. certo, minto, é claro que gosto... mas não tudo. nesse caso, não foi o caso.

enfim, obrigado pelo pouco que pude desfrutar. ainda estou dividido em dois. mas mesmo assim...

"I learned (a bit) about my life by living through you"

bem, mas é isso aí. apareça para tomar um café, comer umas rosquinhas, jogar conversa fora qualquer dia desses. de vez quando (só de vez em quando), eu sou uma pessoa normal. ou, pelo menos, assim espero...

"we'll meet again my friend... someday soon."

× quem, quando ugo pozo, 05:14
× focos de incêndio 3

last night I dreamt that somebody loved me
the smiths

"last night I dreamt
that somebody loved me
no hope - but no harm
just another false alarm
last night I felt
real arms around me
no hope - but no harm
just another false alarm
so tell me how long
before the last one?
and tell me how long
before the right one?
this story is old - I know
but it goes on
this story is old - I know
but it goes on...
"

× quem, quando ugo pozo, 01:59
× focos de incêndio nenhum

× 02.12.02

carta aberta a uma desconhecida

"all your eyes have ever seen
all you've ever heard
is etched upon my memory
is spoken through my words

all that I take with me
is all you've left behind
we're sharing one eternity
living in two minds

linked by an endless thread
impossible to break
"
(dream theater, through my words)

incrível. me identifiquei com você. não me pergunte como eu te descobri, não foi intencional, juro. mas descobri. e você nada mais é que meu espelho. já leu 'o espelho', de guimarães rosa? pois é, me sinto como o personagem principal desse conto finalmente enxerga a 'tênue luzinha' no espelho. não que eu tenha compreendido o que essa luz significa ainda, mas já a enxerguei; é um começo.

"there's a girl in the mirror, her face is getting clearer"

você está do outro lado do meu espelho. porém, racionalizemos, isso de maneira alguma significa que somos iguais. pelo contrário. somos simétricos. a simetria é um conceito interessante: ao mesmo tempo que é totalmente igual, é o exato oposto, o inverso. suas causas são o exato oposto das minhas. suas conseqüências, porém, são as mesmas. será que eu finalmente começo a entender o motivo de minha desaparição no espelho? será que agora, com você do outro lado, serei capaz de enxergar a mim mesmo?

"young child, won't you tell me why I'm here?"

sim, eu estou escrevendo esse texto para ser lido. eu sou assim mesmo, histriônico, no sentido psicopatológico da palavra. hoje mesmo cheguei a comentar isso, mas bem, isso não é importante, ao menos por ora. o que importa é que eu não estou escrevendo esse texto para ser entendido. você é a única pessoa que vai entender o que faz esse texto aqui. espero também que entenda o que eu realmente quero dizer com ele. e, se possível, que possa me explicar.

eu queria querer saber quem é você. queria querer ir atrás, buscar respostas, nomes, faces, queria querer ser denotativo. mas não. isso quebraria o encanto. o espelho se apagaria novamente, e eu não sei se ele voltaria a se acender. não quero quebrar o espelho. já tive anos de azar mais que suficientes para minha vida. pelo menos por ora.

e mesmo que eu quisesse, não teria direito de pedir por isso. você tem sua vida já, e uma vida já é carga o bastante para uma pessoa só. você provavelmente já tem demais com o que se preocupar; não, provavelmente não, com certeza. chega de meias afirmações, sejamos sucintos. não quero interferir na sua vida.

"in her eyes - I sense a story never told
behind the disguise - there's something tearing at her soul...
" - o que vinha depois, mesmo?

se você permitir, não quero mais nada além de viver sua vida. em troca, ofereço a você viver a minha. admito, não é uma troca muito justa, mas não tenho muito mais que isso a oferecer. em todo caso, você pode negar meu pedido. cubra seu speculum com umbra e torne-o fomeus. não o olharei mais, se assim você fizer.

porém, se isso contar alguma coisa em seu julgamento, gostaria de dizer que meu verdadeiro desejo é me descobrir através de você. nada mais. espero contar com sua ajuda.

"uncanny, strange deja vu
but I don't mind - I hope to find the truth.
"

× quem, quando ugo pozo, 07:58
× focos de incêndio um

× 01.12.02

a rosa e a árvore
ugo pozo

era uma vez um garoto. ele morava no interior, em uma fazenda. a fazenda ficava no alto de um morro, de modo que ele dificilmente via outras pessoas além de seus pais. na verdade, dificilmente ele via outras pessoas; seus pais estavam sempre ocupados com a lavoura e não podiam dar atenção ao garoto. esforço de sobrevivência.

certa vez, ele encontrou um pacote de sementes no chão, com um pequeno bilhete. ele não sabia ler, mas achou conveniente plantar as semetes. e foi o que fez, numa parte limpa e afastada do pasto, com apenas algumas outras árvores por perto.

durante meses ele regou o vazio, e nada de a semente crescer. triste, esqueceu-se por um tempo. um belo dia, quando estava a correr pelo campo - um de seus passatempos favoritos -, percebeu que havia nascido um pedaço de muda no lugar onde ele plantara a semente. então ele se empolgou; regou tanto a plantinha no primeiro dia que ela quase afogou-se. percebendo isso, resolveu moderar a dose de água. e a plantinha foi crescendo.

era uma árvore, e grande. parecia uma macieira, a julgar pelo pouco que ele conhecia de plantas. mas não tinha importância, sabia que era uma árvore frutífera, e tudo o que ele mais queria era comer os frutos que a árvore lhe daria.

porém, o tempo foi passando e a árvore não dava frutos. o garoto tornou-se triste; cuidar daquela árvore havia se tornado para ele tão importante quanto ser ele próprio. mas ele não era de perder as esperanças; quanto mais triste ele se tornava, mais ele ansiava pelo dia em que a árvore daria frutos. e menos era capaz de fazer outras coisas.

foi então que, um dia, o garoto adoeceu. seus pais não souberam identificar, mas era fome o que o garoto tinha. ela havia começado a comer cada vez menos, pois não conseguia comer nada sem pensar em qual seria o fruto da tal árvore. aconteceu, então, o que é comum no campo: o garoto morreu, desnutrido. seus pais choraram sua morte, mas logo tiveram outros filhos para cuidar das feridas deixadas pelo primogênito; não os culpo, chorar suas próprias vidas tomava-lhes mais tempo que chorar a morte de outros.

um dia, um dos irmãos do garoto encontrou um bilhete, amarelado, sendo arrastado pela brisa. com um pouco de sacrifício e muita agilidade, conseguiu pegá-lo. este irmão era letrado; os pais haviam começado a pensar no futuro de seus filhos. e, quando ele leu o que dizia o bilhete, entendeu o que havia se passado com irmão; e, dessa vez, não pôde conter o choro. era uma poesia, escrita por um antigo poeta, que fora um dia muito famoso.

"amor - eu disse - e floriu uma rosa
embalsamando a tarde melodiosa
no canto mais oculto do jardim,
mas seu perfume não chegou a mim.
"

× quem, quando ugo pozo, 04:48
× focos de incêndio nenhum

conversa no icq...

pedro: "tenho que acordar em quatro horas"
eu: "puc? gv?"
pedro: "sítio"

paranóia tem limite...

× quem, quando ugo pozo, 04:20
× focos de incêndio nenhum