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× 07.03.03 serviço de utilidade pública cd novo do placebo a ser lançado segunda-feira agora, dia 10. o nome é sleeping with ghosts e a tracklist é essa aqui: 1 bulletproof cupid as mp3 já estão disponíveis no winmx. para quem quiser as letras, ou qualquer outra coisa sobre a banda num site muito bom, visitem esse site. só não se esqueçam de visitar o site antigo - há o devido link na página -, pois o 'novo' tem apenas as letras do novo cd, datas de turnê e tracklist. o antigo tem muito mais informações, vale a pena. × quem, quando ugo pozo, 16:37 até onde eu sei, eu tenho o direito de postar o que eu quiser no meu blog. × quem, quando ugo pozo, 16:05 × 06.03.03 cada um por si e deus contra todos também conhecido como 'o enigma de kaspar hauser' - os ditos tradutores de títulos aqui do brasil deveriam arder no fogo do inferno -, esse filme nos foi exibido hoje lá na eca, como parte da aula de redação e expressão oral. um filme excelente, mas com algumas ressalvas. o enredo do filme pode ser resumido da seguinte maneira: um jovem é criado, até seus dezoito anos, privado de qualquer contato com a sociedade, em uma caverna escura. ele não sabe falar, não conhece absolutamente nada da sociedade que o cerca e vive em condições animalescas. seu 'tutor' ensina-o apenas a rabiscar seu nome - kaspar hauser - e a pronunciar algumas palavras, como 'cavalo' e 'cavaleiro'. quando kaspar completa dezoito anos, o tutor leva-o à praça central de uma cidadezinha alemã do final da década de 1820 e o deixa lá, com a mão estendida, segurando uma carta, estarrecido de medo. óbvio, encontram-no, também a carta e a partir daí inicia-se o processo de 'adaptação' de kaspar à sociedade burguesa européia do século 19. o filme traz questionamentos interessantes, criticando a aceitação cega aos costumes da sociedade, como no momento em que kaspar pergunta a uma governanta 'para que servem as mulheres'. a surpresa da governanta é tamanha que fica claro que ela jamais havia pensado sobre isso, numa sociedade machista em que realmente o único papel da mulher era costurar e pôr à mesa. também é interessante notar que, à medida que kaspar vai adquirindo capacidade de se comunicar, ele também vai adquirindo personalidade própria, deixando de certa forma implícito o conceito determinista de que somos espelho daquilo que nos cerca. entretanto, estando kaspar alheio à sociedade, e não tendo a imaturidade infantil que aceita - quase - tudo sem questionar, ele adquire um ponto de vista privilegiado, capaz de questionar costumes enraizados no cerne da cultura européia. entretanto, esse também acaba por ser o grande pecado de werner herzog, o diretor. ao criticar a sociedade européia do século dezenove, ele tem em mãos uma crítica fácil, e, aquele que seria o ponto de vista privilegiado de kaspar, teoricamente 'universal', por não ter influência de cultura nenhuma, torna-se etnocentrista, refletindo os próprios costumes da sociedade européia de cento e cinqüenta anos mais tarde. em outras palavras: kaspar não é tão 'inocente', tão livre de preconceitos quanto aparenta, pois nada mais é que um reflexo dos preceitos e idéias do próprio diretor e da sociedade que o cerca. o diretor poderia ter evitado esse etnocentrismo fazendo críticas mais profundas à sociedade, questionando costumes que duram até hoje, e não apenas o papel da mulher e a aceitação cega da religião - as duas únicas críticas feitas no filme. são críticas batidas, que não criam polêmica e não geram discussão, fazendo com que o filme perca um pouco de brilho. um exemplo bem feito desse tipo de crítica é 'ensaio sobre a cegueira', livro de josé saramago, que na certa forma vai no sentido oposto do filme de herzog - enquanto o filme mostra a evolução(?) do ser até a vida em sociedade, saramago transforma seus personagens de civilizados(?) em animais ao longo do livro. dessa forma, além de pôr em discussão a essência do ser humano, quando privado da civilização - objetivo comum de herzog e saramago -, o livro também questiona os valores que aceitamos cegamente na nossa sociedade de hoje em dia. porém, o filme tem seus momentos brilhantes, e um deles é a excelente 'história sem fim', de kaspar. muitas metáforas podem ser estabelecidas a partir dela. a história conta de uma caravana no deserto, liderada por um cego. ao se defrontrarem com uma montanha, que não estava prevista no mapa, e com a bússola enlouquecida, o cego diz 'a montanha não está lá, é imaginação nossa. vamos seguir em frente'. e a história acaba aí. duas analogias em particular me seduzem, apesar de opostas. numa, o cego é aquele que melhor enxerga, exatamente por ser cego - 'adesso che ho perso la vista, ci vedo meglio e di più', como em cinema paradiso. a montanha seria a civilização, os costumes sociais, que nos impedem de prosseguir em nosso processo de auto-conhecimento. a caravana, por sua vez, seria a humanidade, e o cego, de certa maneira, kaspar. em menor grau, também me agrada a interpretação de que a humanidade segue um líder cego e é incapaz de questioná-lo, por mais absurdas que forem suas proposições. é uma interpretação válida, embora me pareça demasiado simplista. não me agrada muito me apegar ao óbvio. enfim, há muitos outros detalhes a serem explorados nessa história, que vão da transferência do 'ônus da inocência' para kaspar no começo do filme, quando ele é preso, até especulações sobre sua consciência do que acontecia quando foi exibido no circo. se eu fosse falar tudo aqui, teria um livro e não um post, além de muitos spoilers - creiam-me, não contei nem metade do filme aqui. é um filme que vale a pena ser visto, e que vai gerar opiniões divergentes em quaisquer dois seres humanos diferentes que o assitam. um começo com o pé direito para as sessões de cinema lá na eca. × quem, quando ugo pozo, 21:21 × 05.03.03 considerando que o estado de são paulo e a editora abril (aquela da veja) estão às margens do rio tietê, o cheiro que sai dali nem me surpreende tanto. × quem, quando ugo pozo, 13:05
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