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× 08.02.03

amém

"venha, o amor tem sempre a porta aberta
e vem chegando a primavera -
nosso futuro recomeça:
venha, que o que vem é perfeição."

(perfeição, legião urbana)

há eventos que marcam a vida de uma pessoa. nesse momento, um deles me veio curiosamente à cabeça. não tenho certeza, mas creio ter sido na sexta série... ou terá sido na oitava? enfim. estava me lembrando agora de uma história contada pelo meu professor de história da época.

a história contada remete aos tempos de faculdade desse meu professor. a ele e seu grupo foi assignado um trabalho de campo, uma pesquisa a respeito de uma seita hare krishna. depois de muita negociação, eles conseguiram entrar na seita para acompanhar os ritos e yadda yadda.

vale lembrar que naquela época, ditadura, repressão militar e o escambau, a juventude estudantil era engajada, iam atrás dos livros proibidos, etc, enfim, era uma juventude consciente, diferentemente de hoje em dia. mesmo assim, uma das colegas de meu professor, uma das mais céticas, foi 'seduzida' pelo líder da seita. abandonou a faculdade e foi ser uma das 'esposas' do cara.

eu, do alto de minha imaturidade racionalista, não posso deixar de me perguntar: como uma pessoa pode abandonar todo uma carreira em nome de algo que nunca vai ter certeza se é verdade, como religião? argumentos engraçadinhos como 'ah, era carreira de professor, né!' não são válidos aqui.

podem até me rotular como um 'comunistazinho', mas não consigo deixar de concordar com a célebre frase de marx, 'a religião é o ópio do povo'. as religiões em geral têm essa função, única e exclusiva: 'conformar' as pessoas com sua situação social e bloquear mudanças na estrutura social.

aliás, a religião é tão eficiente nisso que tem vários discursos diferente para a mesma coisa, dependendo da vertente. os católicos dizem 'ah, você é pobre? é porque deus quis assim. mas se você rezar bastante, quando morrer vai para o céu!'. e deixa a burguesia em paz na vida terrena. os protestantes, por sua vez, dizem que 'os pobres são suspeitos de vagabundagem', esquecendo que é um pouco difícil fazer dinheiro quando se começa por baixo e não se tem condições de ter o mesmo nível de estudo das classes altas. já os evangélicos, hoje em dia, dizem que se as coisas estão dando errado é porque 'o demônio está querendo prejudicar você', o que sugere que o demônio é mais atencioso que deus na hora de prejudicar uma a uma as milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza.

ok, admito, estou extrapolando um pouco. mas é impossível não lembrar de hitler e seus milhões de nazistas quando passo em frente a uma igreja e vejo as pessoas todas brainwashed, cantando hinos de adoração com letras que beiram o ridículo, com um braço estendido esperando pela benção divina e com o outro deixando o 'dízimo' na cestinha. já diria o sábio edir macedo, 'ou dá ou desce'.

é claro que há outras 'defesas' para as religiões. há a tal desculpa do 'conforto para alma'. e eu me pergunto, que diabos de conforto é esse obtido através de uma fantasia, uma ilusão? você esquece os problemas do seu dia-a-dia - em vez de ir atrás de resolvê-los - para esperar a 'providência divina'. oras, com mil diabos! desculpem, mas faço minhas as palavras de nietzsche agora.

"sou muito inquiridor, muito duvidoso, muito altivo para me satisfazer com uma resposta grossseira"; "deus é uma resposta grosseira, uma indelicadeza para conosco, (...), uma grosseira proibição para nós: não devem pensar!"

(pronto. agora, os que chamavam de 'comunistazinho' agora podem me chamar de 'existencialistazinho' também. mais algum rótulo?)

há, por fim, a vertente 'científica' da religião. a vida é um milagre! o universo é um milagre! a lua girar ao redor da terra é uma milagre! tá, essa última foi do george, não conta. mas essa é a mais absurda das defesas possíveis das crença na existência de um ser superior... é jogar no lixo todo o trabalho de darwin sobre evolução e toda as teorias de probabilidade. é uma defesa tão acéfala que nem a própria igreja católica a apóia mais.

não nego a importância da religião nos primórdios da humanidade. o ser humano se distíngüe dos outros animais pela inteligência; e a inteligência é a capacidade de questionar. só que se as tribos passassem o tempo todo questionando as atitudes do líder, seriam caçadas em vez de caçar e a humanidade sequer teria se desenvolvido. sob esse ponto de vista, para manter uma tribo de seres racionais unida, só mesmo com uma crença irracional.

agora, atualmente temos uma sociedade estabelecida, montada em princípios lógicos e racionais (exceção feita ao imperador bush... mas dele eu falo outro dia), na qual me parece absurdo que ainda haja a necessidade de uma figura inexistente para manter seres humanos unidos em torno de princípios éticos e morais. é claro que precisamos seguir uma certa conduta 'boa', mas não porque não queremos ir para o inferno (aliás, você já está nele, caro leitor), e sim para que a sociedade possa sobreviver! ou então, talvez seja até melhor que a sociedade como ela se organiza hoje em dia não sobreviva mesmo, e que surja em seu lugar uma outra mais justa.

enfim... essa é minha opinião a respeito de religião. sei que serei apedrejado pelos crentes de plantão, com argumentos tão firmes quando a estrutura dos edifícios do sérgio naya. mas, o que posso fazer, senão lembrar da célebre frase de machado de assis que é o motto desse blog? ele, pelo menos, tinha plena consciência da inutilidade de seus livros. ou então...

"... já que também podemos celebrar a estupidez de quem cantou essa canção."

× quem, quando ugo pozo, 02:44
× focos de incêndio 9

× 06.02.03

bem vindos ao inferno

... de novo?! 

é isso aí. o inferno voltou. como eu já havia dito no post anterior, o limbo e o inferno se dissociaram. mas que fique bem claro desde o princípio: o blog principal é esse aqui.

quanto ao layout, não quero ouvir um pio. demorei uma semana para conseguir terminá-lo e acertar seus detalhes. aliás, estou sem criatividade nenhuma para escrever por conta da fadiga mental que esse maldito me proporcionou.

não tenho muito o que dizer por enquanto, já disse quase tudo que queria dizer no post anterior. agora, é colocar o blog para funcionar de novo.

× quem, quando ugo pozo, 23:08
× focos de incêndio 7